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       Pedra Filosofal     

    Eles não sabem que o sonho

    é uma constante da vida

    tão concreta e definida

    como outra coisa qualquer,

    como esta pedra cinzenta

    em que me sento e descanso,

     

    como este ribeiro manso

    em serenos sobressaltos,

    como estes pinheiros altos

    que em verde e oiro se agitam,

    como estas aves que gritam

    em bebedeiras de azul.

     

    Eles não sabem que o sonho

    é vinho, é espuma, é fermento,

    bichinho álacre e sedento,

    de focinho pontiagudo,

    que fossa através de tudo

    num perpétuo movimento.

     

    Eles não sabem que o sonho

    é tela, é cor, é pincel,

    base, fuste, capitel,

    arco em ogiva, vitral,

    pináculo de catedral,

    contraponto, sinfonia,

     

    máscara grega, magia,

    que é retorta de alquimista,

    mapa do mundo distante,

    rosa-dos-ventos, infante,

    caravela quinhentista,

    que é Cabo da Boa Esperança,

     

    ouro, canela, marfim,

    florete de espadachim,

    bastidor, passo de dança,

    Colombina e Arlequim,

    Passarola voadora,

    pára-raios, locomotiva,

     

    barco de proa festiva,

    alto-forno, geradora,

    cisão de átomo, radar,

    ultra-som, televisão,

    desembarque em foguetão

    na superfície lunar.

     

    Eles não sabem, nem sonham,

    que o sonho comanda a vida.

    Que sempre que um homem sonha

    o mundo pula e avança

    como bola colorida

    entre as mãos de uma criança.

     António Gedeão

     

     

     

     

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    Gotas de Amor

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    Gotas de Amor

    Assim é você pra mim:

    Gota de orvalho,

    Pequena e transparente;

    Que me inunda de felicidade sem fim.

     

    Invisível ser, que de amor me banha,

    Tão suave eu sinto

    Sua presença no ar.

     

    Água límpida, gota pura;

    Onde minh' alma se refresca,

    Nua.

     

    Sua ausência em mim

    Causa dor e sofrimento

    Caem gotas dos meus olhos

              Doce amor que alimento

        

      

     

    Observações sobre a crise da educação pública

     

    Observações sobre a crise da educação pública

     

    A doutrina materialista de que os homens são produtos das circunstâncias e da educação, e de que portanto, seres homens modificados são produtos de circunstâncias diferentes e de uma educação modificada, esquece que as circunstâncias são modificadas precisamente pelos homens, e que o próprio educador precisa ser educado. Leva, pois, forçosamente, à divisão da sociedade em duas partes, uma das quais se sobrepõe à sociedade(...) A coincidência da modificação das circunstâncias e da atividade humana só pode ser apreendida e racionalmente compreendida como prática revolucionária.”
    Karl Marx (1)

    A chain is no stronger than its weakest link
    (Uma corrente não é mais forte que seu elo mais fraco)

    Sabedoria popular européia

     O reconhecimento do fracasso da educação pública como instrumento da mobilidade social. Uma das premissas do capitalismo era a igualdade jurídica dos cidadãos. A promessa dos reformistas portuguesa foi, contudo, ao mesmo tempo, confusa: afirmaram durante os últimos trinta anos de regime democrático, antes de chegar ao poder, que a educação seria, mesmo preservado o capitalismo, uma via de maior justiça social. A escola poderia mudar o Portugal, diminuindo as desigualdades sociais. Através da meritocracia, da igualdade de oportunidades, a chamada equidade, a justiça diante de obstáculos ou de barreiras que são ou deveriam ser universais, existiria a possibilidade de melhorar de vida. Todo a promessa reformista esteve construída em cima desta tese. “Estudem e trabalhem duro”, e terão um futuro superior ao dos vossos pais.

    Educação e trabalho para todos garantiriam, presumia-se, uma maior coesão social à democracia burguesa na periferia do capitalismo, e serviam de álibi para a confiança dos reformistas nas possibilidades de “controle social” do mercado. Abraçados a esse programa, o desenvolvimento econômico substituía, alegremente, o socialismo como horizonte estratégico da esquerda eleitoral. A democracia liberal afiançaria, gradualmente, prosperidade para todos. Seria uma questão de paciência. Mas, quando chegaram ao poder, fizeram um “desconto” na promessa, e o direito à educação universal foi subtraído: no lugar de mais verbas para a educação pública, mais isenção fiscal para a educação privada. Sobraram as políticas compensatórias uma amarga contrapartida.

    Todas os levantamentos estatísticos informam que, apesar de melhoras quantitativas modestas dos índices educacionais, o projeto reformista tem sido um fiasco. Portugal está mais injusto que há quinze, vinte anos atrás, o desemprego mais alto, os salários médios congelados, enfim, a vida ficou mais difícil. A expansão da rede pública foi significativa nos anos oitenta e noventa, mas não diminuiu a desigualdade social. Depois, a partir dos anos noventa, vieram as políticas anti-sociais focadas que o governo Actual está implementando, e estão fracassando, ainda mais estrepitosamente. A mobilidade social, ou seja, a esperança de ascensão social de uma geração para outra permanece muito pequena. A desigualdade social bportuguesa continua entre as mais elevadas da Europa. Trinta anos de democracia burguesa e de alternância no poder municipal, autárquico e nacional entre a centro direita e a esquerda reformista, que tiveram oportunidade de aplicar os mais variados projetos educacionais, não trouxeram maior mobilidade social.

     A educação não garante mobilidade social ascendente
    Eis a primeira questão: a mobilidade social e o lugar da educação como instrumento de ascensão. A primeira constatação da realidade social no capitalismo periférico é que as possibilidades de ascensão social agora estão congeladas. A sociedade portuguesa teve, durante algumas décadas, comparativamente à situação atual, uma mobilidade social significativa. Se analisarmos a origem social da maioria da população urbana adulta e, também, o que podíamos chamar o “repertório cultural” das gerações anteriores nas nossas próprias famílias, veremos que, com raras exceções, uma grande parcela foi, individualmente, favorecida pelo período histórico anterior. Esse fenômeno é chave para compreendermos a crise atual, porque foi excepcional. Durante gerações nossos antepassados foram vítimas da imobilidade social e da divisão hereditária do trabalho. Os que nasciam filhos de pobres, não tinham muitas esperanças sobre qual seria o seu destino. Os filhos dos sapateiros já sabiam que seriam sapateiros.

    A luta revolucionária é um assunto para gente muito equilibrada. A revolução exige dedicação, perseverança, exige espírito de sacrifício, reflexão, muita crítica, muita autocrítica, muita disposição de mudar. Gente muito perturbada não tem disposição de mudar, já acha que é perfeita; os revolucionários, não. Acham que são gente incompleta, gente imperfeita, gente em construção. Acham que têm que se corrigir uns aos outros. A adesão ao projeto revolucionário se fundamenta na História: o projeto reformista não tem viabilidade no tempo que nos tocou viver.

    Quando raciocinamos neste horizonte de perspectiva, verificamos que a economia portuguesa perdeu o impulso que teve até os anos oitenta. Concretizemos: mobilidade social, neste contexto, significava quais eram as possibilidades que cada um tinha de melhorar de vida, preservadas as relações sociais dominantes. Essas taxas são mais acentuadas em uns períodos e menos acentuadas em outros; há sociedades mais congeladas, numa etapa histórica, e há sociedades mais dinâmicas. A questão decisiva é que o Portugal é hoje uma sociedade muito congelada, comparativamente, àquilo que ela foi. 

    As possibilidades de se ter recompensas econômicas e sociais, ou uma vida mais segura e mais confortável, através do ensino, está seriamente em crise. Além disso a crise já foi percebida pelas massas trabalhadoras, e mesmo pelas camadas médias. Ainda que façam o possível e até o impossível para garantir uma escolaridade elevada para os seus filhos. Na verdade, não nos enganemos, a função social da educação na sociedade contemporânea é estabelecer a divisão do trabalho que vai permitir a perpetuação das relações sociais existentes. Ou seja, a educação não questiona as relações sociais. 

    Uma outra forma de ilusão reformista é acreditar na quimera de que uma população mais educada mudaria, gradualmente, a realidade política do país. Se fosse assim, a Argentina ou a Coréia do Sul, entre inúmeros exemplos de sociedades que tiveram índices elevados de escolaridade, não seriam infernos para os trabalhadores. Não há maneira de diminuir a desigualdade material e cultural, sem ruptura com o imperialismo. Todas as promessas reformistas de que a educação seria o instrumento meritocrático que permitiria que cada um tivesse a sua justa função na sociedade, isto tudo está numa crise completa. Mas, ainda em crise, esta ideologia mantém influência entre as massas – porque as ilusões não morrem sozinhas - em especial entre os professores, que são, paradoxalmente, um dos instrumentos sociais de convencimento de que a escola poderia mudar a sociedade.
     

    A ideologia de que o capitalista cumpre uma função necessária, a herança é justa, a desigualdade é inevitável, e a escola é o instrumento que permite a seleção que justifica a divisão do trabalho e a divisão em classes é uma fraude. Primeira falsidade: os patrões não são necessários. Os patrões são inúteis, os proprietários do capital são uma excrescência parasitária que vive da extração de trabalho que não é remunerado. Segunda falsidade: a desigualdade não é natural. Não é razoável vivermos numa sociedade em que a diferença entre o piso e o teto das remunerações varia de um para quinhentos. Como é possível aceitar que o trabalho de uma hora de alguém, seja centenas de vezes mais valioso que o trabalho de outro?

    O atraso cultural da sociedade portuguesa é responsabilidade do Estado
    O segundo tema é a idéia de que nós vivemos numa sociedade que não superou significativo atraso cultural. Uma aferição de qual é o nível de escolaridade e o repertório médio da sociedade de hoje, em relação ao que ela foi no passado, mas, também, uma comparação da sociedade portuguesa com outras sociedades da europa, não é nada animadora.

     O balanço é devastador: o número de estudantes matriculados aumentou, mas, para desespero nosso, a melhoria é quase imperceptível. O número de certificados emitidos cresceu, mas a qualidade do ensino caiu.

    Resumo da ópera: o Estado português, mesmo na forma do regime democrático - não importando quais os partidos na sua gestão continua drenando recursos dos serviços públicos para o Capital. Políticas sociais focadas e pouco compensatórias,  não obtiveram resultados significativos. O Estado ao serviço do Capital se demonstrou historicamente incapaz de garantir uma educação pública e universal.

     Muitas décadas nos separam do início do processo de urbanização e industrialização, e a desigualdade material e cultural não diminuiu.

    Temos uma situação na qual a divisão social se manifesta através do abismo que separa a escola pública da escola privada. Mercantilizaram a educação. O capitalismo criou um monstro: o apartheid educacional. A escola privada hoje em Portugal não é somente um fenômeno educacional, é um fenômeno econômico.

      O que é a degradação social de uma categoria? Na história do capitalismo, varias categorias passaram em diferentes momentos por promoção profissional ou por deterioração profissional. Houve uma época em que os “reis” da classe operária eram os ferramenteiros: nada tinha maior dignidade, porque eram aqueles que dominavam plenamente o trabalho no metal, conseguiam manipular as ferramentas mais complexas. Séculos antes, foram os marceneiros, os tapeceiros, e em muitas sociedades os mineiros foram bem pagos, relativamente, por muito tempo. Houve períodos históricos na Inglaterra – porque a aristocracia era pomposa - em que os alfaiates foram excepcionalmente bem remunerados. Na França, segundo alguns historiadores, os cozinheiros. Houve fases do capitalismo em que o estatuto do trabalho manual, associada a certas profissões, foi maior ou menor. A carreira docente mergulhou nos últimos vinte e cinco anos numa profunda ruína. Há, com razão, um ressentimento social mais do que justo entre os professores. A escola pública entrou em decadência e a profissão foi, economicamente, desmoralizada.

    Os professores foram ideologicamente desqualificados diante da sociedade. O sindicalismo dos professores, uma das categorias mais organizadas e combativas, foi construído como resistência a essa destruição das condições materiais de vida. Reduzidos às condições de penúria, os professores se sentem humilhados. 

    O Estado retira da sociedade através de todos os mecanismos - o fisco e todos os mecanismos arrecadatórios - uma parte da mais-valia que é produzida e a redistribui para o Capital. Isso significa que os serviços públicos foram completamente desqualificados. 

    Dentro dos serviços públicos, contudo, há diferenças de grau. As proporções têm importância: a segurança pública está ameaçada e a justiça continua muito lenta e inacessível,  nem os salários do judiciário se desvalorizaram como os da educação; a saúde pública está em crise, mas isso não impediu que programas importantes, e relativamente caros, como variadas campanhas de distribuição do coquetel para os soropositivos e outras fossem preservados.

    Cria-se uma situação de conflito latente entre os professores que dão aula e os professores que não dão aula. Por último, uma parcela dos professores desabou. As doenças profissionais são elevadíssimas, entre elas, a depressão é epidêmica.

    Ensina a sabedoria popular que podemos conduzir um cavalo até à água, mas não podemos obrigá-lo a beber. Não haverá uma nova educação sem a mobilização livre dos sujeitos ativos no processo educacional.

    O programa socialista para a educação portuguesa começa por um resgate do lugar da educação e dos educadores. Os principais agentes de transformação da educação serão os estudantes e os trabalhadores da educação, pois são eles que a defendem contra os ataques do Estado. Em cada momento, qual será entre os estudantes e os professores, o segmento que estará na vanguarda? Este é um falso problema. É um assunto sobre o qual não deveríamos ter um critério rígido; isto é indeterminado, é incerto. A experiência histórica sugere que, em alguns momentos, os professores serão vanguarda e, em outros, os estudantes.

    Essa não é a opinião dos reformistas. Ao lado dos liberais e dos conservadores, defendem uma campanha imunda que transforma os professores, de vítimas, em responsáveis pela crise da escola, criminalizando as greves de resistência. O Estado defende que é o governo a vanguarda, o que é cômico se não fosse trágico. Como transferem a responsabilidade do fracasso escolar para os professores e os estudantes, insistem em mobilizar os pais para dentro das escolas, argumentando que a pressão externa da comunidade poderá melhorar a gestão. Os neoliberais “descobriram” que o problema da educação não é o corte verbas, mas a má administração. Uma campanha abjeta na televisão, apresenta o trabalho voluntário como a solução da escola pública, o que seria, evidentemente, risível, se não fosse desprezível.

    Um programa para a educação tem que primeiro identificar quem são os sujeitos sociais da luta pela mudança. Não é sequer razoável pensar na luta por uma melhor escola pública, se o projeto for construído “demonizando” os professores. Este ponto de partida programático, a reivindicação dos professores como sujeitos, é uma ruptura com a estratégia reformista, porque identifica o Estado burguês como o inimigo da educação, e os docentes como os protagonistas da mudança. Outros reformistas defendem, exatamente, o contrário. A concepção dos reformistas é igual à dos partidos ao serviço do Capital: os partidos nas campanhas eleitorais dizem “o nosso programa para a educação é muito bom”. Aí os outros dizem “o nosso programa para a educação é melhor”. Depois esquecem as promessas, por suposto, mas a concepção comum é que, quando chegarem ao Estado, aplicarão um programa contra os professores, porque são grandes sábios e os professores nem merecem ser ouvidos.

    A tradição marxista é que as organizações dos trabalhadores, sindicais e políticas, são instrumentos para os trabalhadores tomarem o poder, e eles, os trabalhadores, governarem a sociedade. Um partido revolucionário não “toma” o poder e não impõe um programa contra as massas; as massas é que mudam a sociedade e tomam o poder. O partido é um instrumento para a revolução e um organizador geral do projeto insurrecional. Recordando a epígrafe de Marx que abre este artigo, transformaremos a escola, nos transformando a nós mesmos. Lutamos por uma outra escola, porque nós mesmos lutamos para sermos diferentes daquilo que fomos e somos. Não haverá uma nova escola, se os professores não acreditarem nela. Não haverá uma nova escola, se a juventude portugues não for chamada a construir essa nova escola, e não tiver paixão política pelo projeto. 

    Este Estado é incapaz de oferecer uma escola de qualidade para todos: nunca funcionou, mas agora não é mais possível o Estado garantir a remuneração do Capital e os serviços públicos. É uma realidade internacional inquestionável. Sob o capitalismo, contudo, a educação virou uma mercadoria que só é acessível a quem pode pagar. A educação é um direito essencial, uma necessidade que está entre as mais intensas. A educação abre a janela da vida na infância para aquilo que é o nosso destino: o domínio consciente da natureza e de nossa sociabilidade. Por essa via, descobrimos a vocação de uma profissão, que é o sentido do trabalho, a plena realização do potencial humano. 

    Na sociedade que nós vivemos, porém, o trabalho é a maldição que nos oprime. O trabalho é o castigo que nos mortifica. É, às vezes, até a prisão, dentro da qual nós nos sentimos encarcerados.

    O que nos transforma em humanos é o trabalho. Nós temos necessidades mais complexas que a vida vegetal e animal, nossas necessidades não são resolvidas só com o consumo de oxigênio e a transformação de carboidratos, proteínas, vitaminas e sínteses químicas que alimentam as sinapses do nosso cérebro. Nós precisamos do trabalho. Nós temos que agir. A união de conhecimento e ação, a práxis, é o nosso destino. A práxis humana é transformar o mundo e a nós mesmos através do trabalho.

    Os reformistas ignoram a necessidade de uma educação libertadora e desalienadora. Abandonaram o projeto da escola pública, porque aderiram ao programa do Estado mínimo.

    Defendem, portanto, as políticas sociais focadas, argumentando que, sendo as verbas públicas disponíveis muito insuficientes para garantir escola de qualidade para todos, seria preciso atender aos mais necessitados. São, agora, os campeões da ideologia de que é preciso esquecer as reivindicações históricas dos trabalhadores, para atender aos mais humildes. O projeto de distribuir dinheiro aos miseráveis, no lugar de garantir o direito ao trabalho e a escola universal, é, no entanto, uma política reacionária. O direito ao trabalho e à educação são inegociáveis, e é preciso ter perdido, além de todos os reflexos socialistas mais elementares, até o bom senso, para renunciar a eles. Acontece que o capitalismo contemporâneo admite, todos os dias, que é impossível garantir trabalho e escola, e os reformistas se resignam, porque estão mais comprometidos com a defesa da propriedade privada de uns poucos, do que com o direito da maioria.

    O lugar da escola hoje é um encontro de sociabilidade, mas não é um encontro mais com o repertório cultural que a humanidade construiu. Nós sentimos essa angústia, que é reconhecer que a escola agoniza. Nós somos, contudo, os guardiões de uma promessa: que através da arte, da cultura, da ciência que as gerações anteriores nos legaram, podemos construir um mundo melhor. Os professores se sentem tristes, sendo a última linha de defesa. Mas, não estamos sozinhos. O projeto pelo qual lutamos, a liberdade e a igualdade humana, permanece sendo a causa mais elevada da época que nos coube viver.

    NOTAS

    [1] Karl Marx, Terceira Tese sobre Feurbach

     

     

     




     
     
     

     
     

     

    Felicidade

     

     

    Felicidade

    Felicidade pode ser andar por entre as nuvens,
    sentindo o corpo com a leveza da alma,
    ouvindo o vento;
    e dele,
    sussurros de amor eterno.

    Pode ter a cor do arco-íris.
    O sabor de um chocolate.
    O valor de um diamante.
    A essência da bondade.

    A felicidade,
    não tem tempo de chegada,
    não escolhe o momento
    vem sem avisar,
    assim como vai-se da mesma forma.

    Pois, por vezes;
    ela tem a duração de um instante,
    mas deixa a sensação de uma eternidade.
    Qualquer um pode sentí-la,
    visto que prá ser feliz,
    não tem limite de idade.

    Dizem que ela é assim,
    e que também tem seu preço
    mas agora vou falar
    daquela que conheço.

    Ela tem o seu cheiro,
    o gosto da sua boca,
    a cor da sua pele,
    o som da sua voz.

    A minha felicidade,
    está na alegria do seu sorriso.
    Consiste nas pequenas coisas
    que nos ligam um ao outro.

    A minha felicidade tem o seu rosto,
    o seu nome.
    Ela é feita de pedaços de você 
    e de instantes com a sua presença
     

     

     

      

     

     

     

     

     

     

     

      

     

    QUASE TE SINTO

     QUASE TE SINTO

    Eu penso, e a pensar quase te sinto
    As tuas mãos de veludo, as tuas mãos de doçura,
    A mim mesmo, eu já me minto
    Para não perder a ilusão, das tuas mãos de ternura

    Tomo por realidade o que não passa de um sonho
    Nossos corpos abraçados nos desejos
    Acaricio teu lindo rosto risonho
    Todo coberto de beijos
    Está chegando a madrugada
    Vai -se a noite de luar
    Minha meiga e doce amada
    Eu quero ainda te amar
    Cuida de mim, não me deixes despertar
    Que ao ver-me sem ti meu amor
    Não mais eu iria amar
    Morrendo, como morre a flor.

     

     

     

     

                                                                                                                                                             

     

     

     
     
     
     
     
     


     

     

    *** A lição do bambu chinês ***

     

     

    A lição do bambu chinês

    Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada,

    Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu,

    Mas, uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída.

    Um escritor americano escreveu:

    “Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês”:
    Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento,e, às vezes não vê nada por semanas, meses, ou anos.
    Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5º ano chegará, e, com ele, virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava...

    O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos,de nossos sonhos... especialmente no nosso trabalho,
    (que é sempre um grande projeto em nossas vidas)

    É que devemos lembrar do bambu chinês, para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.

    Tenha sempre dois hábitos:

    Persistência e Paciência, pois você merece alcançar todos os sonhos!!!

    É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo,
    muita flexibilidade para se curvar ao chão.

    (Desconheço autoria)

     

                                                                                                                        

     

     

     

    *** A OPINIÃO DOS OUTROS ***

     

     

    A Opinião dos Outros  

    Você se importa com a opinião que os outros têm a seu respeito?

    Se a sua resposta for não, então você é uma pessoa que sabe de si mesma. Que se conhece. É auto-suficiente.

    No entanto, se a opinião dos outros sobre você é decisiva, vamos pensar um pouco sobre o quanto isso pode lhe ser prejudicial.

    O primeiro sintoma de alguém que está sob o jugo da opinião alheia, é a dependência de elogios.

    Se ninguém disser que o seu cabelo, a sua roupa, ou outro detalhe qualquer está bem, a pessoa não se sente segura.

    Se alguém lhe diz que está com aparência de doente, a pessoa se sente amolentada e logo procura um médico.

    Se ouve alguém dizer que está gorda, desesperadamente tenta diminuir peso.

    Mas se disserem que é bonita, inteligente, esperta, ela também acredita.

    Se lhe dizem que é feia, a pessoa se desespera. Principalmente se não tem condições de reparar a suposta feiúra com cirurgia plástica.

    Existem pessoas que ficam o tempo todo à procura de alguém que lhes diga algo que as faça se sentir seguras, mesmo que esse alguém não as conheça bem.

    Há pessoas que dependem da opinião alheia e se infelicitam na tentativa de agradar sempre.

    São mulheres que aumentam ou diminuem seios, lábios, bochechas, nariz, para agradar seu pretendido. Como se isso fosse garantir o seu amor.

    São homens que fazem implante de cabelo, modificam dentes, queixo, nariz, malham até à exaustão, para impressionar a sua eleita.

    E, quando essas pessoas, inseguras e dependentes, não encontram ninguém que as elogie, que lhes diga o que desejam ouvir, se infelicitam e, não raro, caem em depressão.

    Não se dão conta de que a opinião dos outros é superficial e leviana, pois geralmente não conhecem as pessoas das quais falam.

    Para que você seja realmente feliz, aprenda a se conhecer e a se aceitar como você é.

    Não acredite em tudo o que falam a seu respeito. Não se deixe impressionar com falsos elogios, nem com críticas infundadas.

    Seja você. Descubra o que tem de bom em sua intimidade e valorize-se.

    Ninguém melhor do que você para saber o que se passa na sua alma.

    Procure estar bem com a sua consciência, sem neurose de querer agradar os outros, pois os outros nem sempre dão valor aos seus esforços.

    A meditação é excelente ferramenta de auto-ajuda. Mergulhar nas profundezas da própria alma em busca de si mesmo é arte que merece atenção e dedicação.

    Quando a pessoa se conhece, podem emitir dela as opiniões mais contraditórias que ela não se deixa impressionar, nem iludir, pois sabe da sua realidade.

    Nesses dias em que as mídias tentam criar protótipos de beleza física, e enaltecer a juventude do corpo como único bem que merece investimento, não se deixe iludir.

    Você vale pelo que é, e não pelo que tem ou aparenta ser. A verdadeira beleza é a da alma. A eterna juventude é atributo do espírito imortal.

    O importante mesmo, é que você se goste. Que você se respeite. Que se cuide e se sinta bem.

    A opinião de alguém só deve fazer sentido e ter peso, se esse alguém estiver realmente interessado na sua felicidade e no seu bem-estar.

    .......................

    Nenhuma opinião que emitam sobre você, deve provocar tristeza ou alegria em demasia.

    Os elogios levianos não acrescentam nada além do que você é, e as críticas negativas não tornarão você pior.

    Busque o autoconhecimento e aprenda a desenvolver a auto-estima.

    Mas lembre-se: seja exigente para consigo, e indulgente para com os outros.

    Eis uma fórmula segura para que você encontre a autoconfiança e a segurança necessárias ao seu bem-estar efetivo.

    E jamais esqueça que a verdadeira elegância é a do caráter, que procede da alma justa e nobre.

    Pense nisso, e liberte-se do jugo da opinião dos outros.

     

     

     

      

     

    *** O CAVALO & O PORCO ***

     

     

    O CAVALO E O PORCO

    Um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava uma determinada raça.
    Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha este determinado cavalo.
    Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo.
    Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário:

    -  Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este
    medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.

    Neste momento, o porco escutava toda a conversa.
    No dia seguinte deram o medicamento e foram embora.
    O porco se aproximou do cavalo e disse:

    - Força amigo! Levanta daí, senão você será sacrificado!!!

    No segundo dia, deram o medicamento e foram embora.
    O porco se aproximou do cavalo e disse:

     - Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar...  Upa! Um, dois, três.

    No terceiro dia deram o medicamento e  o veterinário disse:

    - Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.

    Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:

    - Cara é agora ou nunca, levanta  logo! Coragem! Upa! Upa!
    Isso, devagar! Ótimo, vamos, um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa vai... Fantástico! Corre, corre mais!  Upa! Upa!
    Upa!!! Você venceu, Campeão!!!

    Então de  repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:

    - Milagre!!! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa..."Vamos matar o porco!!!"

     

    Ponto de reflexão:

    Isso acontece com freqüência no ambiente de trabalho. Ninguém percebe qual é o funcionário que realmente tem o mérito pelo sucesso.
    "Saber viver sem ser  reconhecido é uma  arte."
    "Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se:  Amadores construíram a Arca de Noé e profissionais, o Titanic."
    Procure ser uma pessoa de valor ao invés de uma pessoa de sucesso!!!!

     (Recebi sem autoria)                                                                                   

     

      

     

    *** Oração para Hoje ***

     

     

                                           

    Oração para Hoje
     
    Que eu continue a acreditar no outro mesmo sabendo de alguns valores tão esquisitos que permeiam o mundo;
     

    Que eu continue otimista, mesmo sabendo que o futuro que nos espera nem sempre é tão alegre;

     

    Que eu continue com a vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, uma lição difícil de ser aprendida;

     

    Que eu permaneça com a vontade de ter grandes amigos(as), mesmo sabendo que com as voltas do mundo, eles(as) vão indo embora de nossas vidas;

     

    Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, sentir, entender ou utilizar esta ajuda;

     

    Que eu mantenha meu equilíbrio, mesmo sabendo que os desafios são inúmeros ao longo do caminho;

     

    Que eu exteriorize a vontade de amar, entendendo que amar não é sentimento de posse, é sentimento de doação;

     

    Que eu sustente a luz e o brilho no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo, escurecem meus olhos;

     

    Que eu realimente minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto o Sucesso e a Alegria;

     

    Que eu siga sempre mais a minha intuição, que sinaliza o que de mais autêntico possuo;

     

    Que eu pratique sempre mais o sentimento de justiça, mesmo em meio à turbulência dos interesses;

     

    Que eu não perca o meu forte abraço, e o distribua sempre;

     

    Que eu perpetue a Beleza e o Brilho de ver, mesmo sabendo que as lágrimas também brotam dos meus olhos;

     

    Que eu manifeste o amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia;

     

    Que eu acalente a vontade de ser grande, mesmo sabendo que minha parcela de contribuição no mundo é pequena;

     

    E, acima de tudo... Que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte desta maravilhosa teia chamada Vida, criada por Alguém bem superior a todos nós!

     

    E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e, sim, nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós!


    (Autor Desconhecido)

                                         

     

     

     

      

     

    ***Hipocrisia***

    Hipocrisia

     

    Nada mais é do que hipocrisia quando se diz que o povo é sábio.

    A chamada “democracia” está fundamentada na hipocrisia. Tudo o que se relaciona com esse regime político, em última instância, desemboca em algum argumento hipócrita.

     A maior parte, a parcela que elege os dirigentes, comporta-se como um indolente rebanho, tocado para lá e para cá pelos capatazes políticos através de promessas que nunca se cumprirão.

    Somente hipocrisia reside nas expressões comuns à prática democrática: "base parlamentar de apoio", "compatibilização de interesses"...

    Todas eufemismos para corrupção pura e simples.

    Não passa de uma hipocrisia quando se diz que o poder é exercido, em nome do povo.

    Os congressos e os parlamentos eleitos com essa função nos países democráticos são tumores nacionais, os quais, insuficientemente tratados a cada eleição, voltam a crescer, para disseminar com empenho redobrado a metástase da corrupção.

    Mas a hipocrisia vive em todo o lado, tomou proporções dantescas.

    Reina também nos postos de trabalho, nas mesas de café... eu sei lá!

    De facto, o único alento que se extrai de todo este quadro deprimente é saber que a dita democracia irá extinguir-se... infalivelmente.

    Não se trata de uma afirmativa leviana, nem tão pouco de uma profecia sem fundamento, mas apenas da antevisão de um processo inevitável, natural e automático de depuração.

    Tudo quanto é errado, nocivo ou inútil não pode manter-se indefinidamente.

    A classe política remanescente terá necessariamente de redireccionar os seus objectivos e procedimentos, ajustando-os a princípios bem diferentes dos actuais, pois caso contrário deixará de o ser.

    O regime político do futuro aproximar-se-á mais dos exercidos por determinados povos antigos, não por acaso relegados à curiosidade histórica ou completamente esquecidos pelo Homo Politicus moderno, essa estranha criatura, que na sua decadência mal pressentida, se intitula auto-suficiente, mas que nos seus actos mostra-se apenas como auto-iludida.

     
     
     
     
                                                                               

     

     

    ***Estratégias à parte***

    "ESTRATÉGIAS  À  PARTE"

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    ESTRATÉGIAS A PARTE

     

    Cada vez mais se ouve falar de ESTRATÉGIA.
    É, de facto, um tema fascinante, mas infelizmente é, por vezes, tratado  de forma pouco correcta.
    A estratégia assenta numa capacidade que ninguém tem e que é a capacidade de prever o futuro.
    Se apenas dependermos da estratégia definida pelas organizações, em vez de melhorarmos a nossa posição competitiva só a agravamos, então o importante é associar a essa estratégia uma grande flexibilidade da organização, no seu todo.
    Estou cansado de ler as teses defendidas e provadas pelos grandes mestres de gestão, mas na realidade quando são postas em prática, muitas vezes, saem goradas.
    Depois, quando analisamos uma empresa de “Sucesso”, constatamos que esse sucesso resulta da FLEXIBILIDADE em aceitar as mudanças.
    Hoje não precisamos ser só Bons naquilo que fazemos, hoje quem é só Bom tem os dias contados.
    Há tantos Bons a fazerem o mesmo que nós …
    Hoje é preciso, para além de ser BOM, ser INTERESSANTE. 
    E isto quer dizer que é necessário termos a coragem de sermos empreendedores, determinados a desafiar a cultura que faz a organização ser bem sucedida.
    Resta-nos marcar a diferença, romper paradigmas, sermos flexíveis...
    O progresso económico resulta de um produto mais por melhor: mais conhecimento, mais informação, mais experiência... melhor trabalho






    .

     

      

     

                                                                                                                                 

     
     

    *** Tempo ***

    Tempo

    O meu tempo anda por aí, nas coisas que se dissipam a cada 
    instante, que me passam ao lado e que a cegueira vinda da 
    culpa com que me magoo, dia após dia, me impede de ver. Está 
    nas coisas que reclamo, sem perceber que as deixei fugir antes 
    mesmo de as conseguir.
    O meu tempo anda por aí, em nenhuma 
    parte aparente, mas antes de tudo dentro de mim.
    Para tudo  existe um tempo…

     

                                                                        

     

     

     

    *** Como tudo tem de ser ***

     

     

    Como tudo tem de ser

     

    Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações.

    Muitas impossíveis, outras desnecessárias e até algumas que não combinam connosco, nem nos interessam.

    Para os que ficam fora deste circuito não há perdão nem amnistia.

    Os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço da sua autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.

    O normal é estar bem informado, actualizado e ser produtivo.

    É indispensável circular, ser bem relacionado.

    Quem não corre com os demais, praticamente nem existe, e, se não tomar cuidado, é quase posto numa jaula e apontado como um animal estranho.

    Pressionados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo ou em trilhas determinadas como hamsteres que se alimentam da sua própria agitação.

    Ficar sossegado é perigoso e pode parecer doença.

    Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo, ameaça quem apanha um susto cada vez que examina a sua alma.

    Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arranjou ninguém, como se a amizade ou o amor se «arranjassem» numa loja.

    Em relação ao homem estar sozinho pode até ser libertador.

    Enfim só, ninguém a controlar, a pedir alguma justificação, a aborrecer.

    Enfim, livre! Mas com a mulher, não. Se está só, nas mentes preconceituosas, é sempre porque está abandonada.

    Ninguém a quer! Além da tristeza pela solidão, tem-se horror à quietude.

    Pensa-se logo em depressão... quem sabe terapia e anti depressivos? O silêncio assusta-nos por retumbar no vazio dentro de nós.

    Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam as coisas incómodas e mal resolvidas ou se vê outro ângulo de nós mesmos.

    Damo-nos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre a casa, o trabalho, o café, a praia ou o campo.

    Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse ser que ganha dinheiro, paga contas, “faz amor”, corre, come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer.

    Quais os seus desejos e os seus medos, os seus projectos por cumprir e os seus sonhos por sonhar?

    No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos, muitos ruídos.

    Chegamos a casa e ligamos a rádio ou a televisão, antes mesmo de largarmos a mala.

    Não é para assistir a um determinado programa.

    É pela distracção, pela companhia, pela presença daquelas vozes.

    É para não sentirmos o “tal” silêncio!

    O silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso.

    Traz-nos o medo de ver quem ou o que somos, adia-se o confronto com a nossa alma sem máscaras.

    Mas, se aprendermos a gostar um pouco de sossego, descobrimos em nós e no próximo, regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente negativas.

    Nunca esquecerei a experiência quase mágica de quando o meu pai, durante um passeio pelo pinhal, me pôs a mão no meu ombro de criança e disse-me:
    -Fica quietinha, não faças barulho, escuta a chuva a chegar.
    E ela chegou.

    De mansinho, lentamente, depois intensa tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva.

    Nela nos refazemos para voltarmos mais inteiros ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.

    É por isso que quando me recolho é em busca desse silêncio bom para que eu me escute, para que eu escute os que me rodeiam e os possa entender, para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas pedras da calçada e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.

    Esses sim, são importantes!

                                                                                                                                                          

     

     

    *** Kant ***

    Immanuel kant 

    Moral

    A moral procura definir o que se deve fazer, o que deve acontecer.

    Neste aspecto distingue-se do conhecimento cujas leis determinam universalmente o que é ou o que acontece.

    Kant procurou demonstrar que era possível  formular para a moral leis universais como as do conhecimento científico. Estas leis tinham que ser formuladas à priori, isto é, sem levarem em conta os actos efectivamente praticados, quer fossem bons ou maus.

    O legislador supremo da moralidade é a razão humana. 

    A moral kantiana baseia-se num princípio formalista : o que interessa na moralidade de um acto é o respeito à própria lei moral, e não os interesses, fins ou consequências do próprio acto. Uma boa vontade, guiada pela razão age em função de um imperativo categórico (dever ). 

    Kant concebe a realidade numénica  (realidade absoluta) como inteligível, a qual só pode ser atingida não por uma via teorética, mas por uma via prática, moral.

    Portanto, a moralidade (razão prática) tem que ser pura, sem conteúdos sensíveis. Esta pureza inteligível dá-lhe a primazia sobre o conhecimento (razão teórica), no qual o elemento inteligível está necessariamente contaminado pelos dados sensíveis..

     

     Fundamentação Metafísica dos Costumes

    Kant expôs a sua teoria ética em três obras:

    Fundamentação Metafísica dos Costumes (1785), Crítica da Razão Prática (1788) e Metafísica dos Costumes (1797).

     

    A razão prática, isto é, a razão que guia a acção, é equiparada à vontade livre e independente. A Fundamentação Metafísica dos Costumes tem por objectivo expor os fundamentos da moralidade e a sua crítica.

    No prefácio  define o lugar que a moral devia ocupar na filosofia. 

    Na primeira secção trata da "Transição do Conhecimento Moral da Razão Vulgar para o Conhecimento Filosófico". Ideias fundamentais:

     

    O Bem é, desde Aristóteles o conceito central da ética. Kant começa pior afirmar que a única coisa que merece a denominação de bom é a boa vontade. Só a boa vontade fundamenta o valor moral de uma acção.
    Uma boa vontade é definida como uma vontade pura, sem qualquer determinação ou influência sensível. É uma vontade desinteressada
     
    Devem ser rejeitadas todas as teorias morais que se baseiam em qualquer motivo inferior ao absoluto desinteresse e independência da vontade.
    Kant parte do conceito de Bem, para afirmar que existe uma bem ilimitado, incondicionalmente bom. Tudo o que não é bom em si mesmo, mas é-o por uma determinada finalidade ou num determinado contexto, ou seja, é condicionado pela circunstâncias, não serve para caracterizar a moralidade. 
     
    "Neste mundo, e até fora dele, nada é possível pensar que não possa ser considerado  com bom sem limitação a não ser uma só coisa:
    uma boa vontade. ". Kant, Fund. Met. dos Costumes 
     
    A vontade boa não é determinada por tendências e está subordinada apenas ao dever. Uma vontade boa não é boa por o fim que pretende, ou por o bem que consegue, é boa em si mesma. Agir moralmente é agir por dever, sem ter em conta as consequências da própria acção. 
     
    O dever é uma necessidade interna de realizar uma dada acção apenas por respeito à lei moral (lei prática). O dever liberta o homem das determinações a que está submetido, substitui a necessidade natural. O dever impõe ao homem a limitação dos seus desejos e obriga-o a respeitar as leis morais da razão. 
     
    A lei moral não é algo concreto, mas uma forma pura que se pode aplicar a qualquer situação, garantindo  desta forma a sua validade universal.
     

    Na Segunda secção faz uma "Transição da Filosofia Moral Popular para a Metafísica dos Costumes".

     

    AA natureza actua segundo leis, o homem segundo a ideia de lei.
    As máximas ou leis impõe-se à razão como regras de acção imperativas. Uma máxima é uma regra de acção subjectiva que o indivíduo estabelece para si próprio, como por exemplo: "Diz sempre a verdade".
    Uma Lei moral tem, pelo contrário uma validade universal idêntica às leis que regem a natureza.
     
    A lei moral é assumida como algo absoluto, não pode ser obedecia sob condições. É um dever que decorre da razão e só nela tem o seu fundamento. Kant recusa que a mesma possa ser extraída a partir de exemplos concretos. Qual a origem da lei moral ?

     a) Nasce directamente da própria razão. Não é uma lei imposta do exterior, mas da própria constituição do homem como um ser inteligível. O homem como ser racional é o único ser que determina o seu fim. É esta dimensão que o distingue da natureza da qual faz parte na sua dimensão corpórea.

    b) Não contém nenhum elemento empírico (sensível).  A Lei moral é independente de todos os fins ou motivos. É uma pura forma e a sua validade é universal.

    A lei moral apresenta-se pois, como um Imperativo Categórico que ordena uma acção como objectivamente necessária por si mesma, sem qualquer relação com qualquer outra finalidade. É uma exigência interior da razão. As acções só são moralmente boas se satisfazem os critérios formais do imperativo categórico. Tem que ser constituídas de uma forma que possam ser válidas para todos os seres humanos. 

     Formulas da lei moral

    "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal".

    "Age como os princípios da tua acção devessem ser erigidos pela tua vontade em lei universal da natureza".

    "Age de tal modo que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na do outro, sempre como um fim e nunca como um meio."

    - O reino dos fins une os seres racionais, sob uma legislação comum. A pessoa tem um valor e uma dignidade sem preço.

    Na Terceira secção faz a "Passagem da Metafísica dos Costumes para a Crítica da Razão Prática".

    • A liberdade é um pressuposto essencial da moral. Sem liberdade não se pode pensar em moral. A liberdade é a ausência de qualquer determinação (condicionante) externa, mas não de uma lei moral decorrente da razão . 
    • O homem como ser moral é um ser livre nas suas decisões. Se o homem não fosse livre, não havia moral mas apenas submissão, e neste sentido não poderia ser responsabilizado pelos seus actos. A liberdade é pressuposta pela própria moral.
    • A razão prática (ou a vontade de um ser racional) é, por isso autónoma, ao contrário da natureza, não depende de nada a não ser dela mesma. Isto significa que a razão prática é a causa incondicionada de si mesma. Este facto pressupõe a liberdade como uma propriedade dessa causalidade. 

     

     

     
                                                                                                                            

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    Anedotas & Humor & Reflexão - I

    Advogados


    - O sujeito chega no escritório de seu advogado:
    - Quero falar com meu advogado!
    A secretária responde:
    - Seu advogado morreu!
    No dia seguinte o sujeito volta e diz novamente:
    - Quero falar com meu advogado!
    - Já falei que seu advogado morreu! - responde a secretária.
    No dia seguinte, a cena se repete e a secretária perde a paciência:
    - Quantas vezes vou ter que dizer pro senhor que seu advogado morreu?
    - Desculpe o transtorno, mas não imagina o prazer que tenho em ouvir isso...


    Bebida?
    Dois advogados saem do escritório cansados...
    Com a gravata semi-aberta, com o cigarro no canto da boca depois de um dia estafante de trabalho, quando um vira para o outro e pergunta:
    - Vamos tomar alguma coisa?
    O outro arregala os olhos empolgado e responde.
    - Vamos!!! De quem ????


    Proposta
    No dia da audiência, o acusado faz uma proposta ao seu advogado:
    - Vamos combinar o seguinte? Se eu pegar 5 anos, lhe pago mil reais, se eu pegar 3 anos lhe pago dois mil e se eu pegar somente um ano lhe dou cinco mil, topas?
    - Combinado!
    No dia seguinte o advogado vai visitar o seu cliente na prisão.
    - Eu lhe consegui um ano, portanto você me deve cinco mil! E olhe que tivemos sorte, pois eles queriam absolvê-lo!

     
    Absolvido:
    Num julgamento o Juiz pergunta pro réu.
    - Como o senhor matou sua esposa?
    - A chifradas, meritíssimo.
    - Absolvido. Legítima defesa.


    Prova oral
    Aluno de Direito ao fazer prova oral.
    - O que é uma fraude?
    - É o que o senhor professor está fazendo - responde o aluno.
    O professor fica indignado.
    - Ora essa,explique-se.
    Então diz o aluno:
    - Segundo o Código Penal, "comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar".


    No ar
    O avião estava com problemas nos motores e o piloto pediu às comissárias de bordo para prepararem os passageiros para uma
    aterrissagem forçada, depois, ele chama uma atendente para saber se tudo está bem na cabine e ela responde:
    - "Todos estão preparados, com cinto de segurança e na posição adequada,menos um advogado, que está entregando o seu cartão aos passageiros! "


    Pessoas diferentes
    Certo dia estavam dois homens caminhando por um cemitério quando se depararam com uma sepultura recente.
    Na lápide lia-se: "Aqui jaz um homem honesto e advogado competente".
    Ao terminar a leitura um virou-se para o outro e disse:
    - Desde quando estão enterrando duas pessoas na mesma cova?


    Morrendo
    O advogado, no leito da morte, pede uma Bíblia e começa a lê-la avidamente.
    Todos se surpreendem com a conversão daquele homem ateu, e uma pessoa pergunta o motivo.
    O advogado doente responde:
    - Estou procurando brechas na lei.

     
    Três perguntas
    Quais são as 3 frases mais utilizadas por um advogado?

    1- Você tem dinheiro?
    2- Pode arrumar mais?
    3- Você tem alguma coisa que possa vender?


    Diferenças
     
    Sabe qual a diferença entre Juizes de Primeira Instância e os de Segunda?
    Os primeiros pensam que são Deus.... Os outros já têm certeza!!!

     
    Atropelamento

    Dois trabalhadores estavam caminhando pelo acostamento da Via Dutra, voltando de uma Indústria onde haviam trabalhado duro o dia inteiro, quando um Advogado, que vinha a toda velocidade no seu carro importado, atropela os dois.
    Um deles atravessou o pára-brisa e caiu dentro do carro do Advogado, enquanto o outro voou bem longe, a uns dez metros do local do atropelamento.
    Três meses depois, eles saíram do Hospital e, para surpresa geral, foram direto para a cadeia.
    Um por invasão de domicílio e o outro por se evadir do local do acidente.
     
     

     

    GÉNIO DA LÂMPADA

     

    Um homem caminhava pela praia de Cascais e tropeçou numa velha  lâmpada. 
    Pegou nela, esfregou-a e... um génio saltou lá de dentro e disse: O.K.! Libertaste-me da lâmpada, blá, blá, blá!

    Esquece aquela história dos três desejos! Tens direito a um desejo apenas e ponto final! 
    O homem sentou-se e pensou um instante. 

    Depois disse: 

    Eu sempre quis ir aos Açores, mas tenho um medo enorme de voar...e no mar costumo ficar enjoado. Podes construir uma ponte até aos Açores, para eu poder ir de carro? 
    O génio riu muito e disse: Impossível.

    Pensa na logística do assunto.  Como é que os pilares chegavam ao fundo do Oceano Atlântico? Pensa em quanto betão armado, em quanto aço, em quanta mão-de-obra...

    Não, de maneira nenhuma! A ponte não pode ser!

    Pensa noutro desejo... 

    O homem compreendeu e tentou pensar num desejo realmente possível.

    Finalmente disse: Sabes...Fui casado quatro vezes e quatro vezes me divorciei.
    As minhas mulheres disseram sempre que eu não me importava com elas e que era um insensível. 
    Então, é meu desejo entender as mulheres; saber como se sentem por dentro e o que estão a pensar quando não falam connosco..saber porque estão a chorar...saber realmente o que querem quando não dizem nada... Saber como fazê-las realmente felizes! 
    O génio nem pestanejou: 

    Queres a merda da ponte com duas ou quatro faixas?

     


    DESGRAÇA......

     

    São dois pescadores gémeos. Um é casado e o outro solteiro. E o solteiro tinha uma barca bem velhinha. Um dia, a mulher do primeiro morre. E como desgraça nunca vem sozinha, a barca do irmão afunda no mesmo dia.

      Um dia, chega uma senhora, uma destas velhotas curiosa e fofoqueira, que soube da morte da mulher, para dar os pêsames ao marido. Mas ela confunde os irmãos, e acaba falando com o outro, o que perdeu a barca.

      - Eu só soube agora...Que perda enorme. Deve ser terrível pra você. E o pescador, sem entender direito, foi logo respondendo:

    - Pois é. Eu estou arrasado. Mas é preciso ser forte e enfrentar a realidade.

    De qualquer modo, ela já estava bem podre. Tinha o traseiro todo arrebentado, fedia a peixe e fazia água como nunca vi igual. É verdade que ela tinha uma grande fenda na frente e um buraco atrás, aliás, cada vez que eu a usava, o buraco ficava maior... Mas eu acho que o que ela não aguentou foi que eu a emprestava a quatro rapazes que se divertiam com ela. Eu sempre falei pra eles irem com calma, mas, desta vez, quiseram subir nela os quatro de uma vez.

    Foi demais pra ela.


     
     
      
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    Saint-Petersburg
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